Vencedores da licitação do metrô ja eram conhecidos seis meses antes do certame


Metrô suspende licitação sob suspeita

Folha registrou nome dos vencedores seis meses antes da divulgação do resultado; governador pede investigação

Metrô diz que também irá investigar o caso, enquanto empreiteiras negam irregularidades ou acerto em licitação

FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO

O governo de São Paulo suspendeu a licitação dos lotes 3 a 8 da linha 5 (Lilás) do metrô, após a Folha revelar ontem que já tinha conhecimento do resultado da concorrência há seis meses.
O governador Alberto Goldman (PSDB) também requisitou ao Ministério Público e à Corregedoria-Geral do Estado a abertura de investigações para apurar o caso.
O Metrô, estatal paulista, também afirma que vai investigar o caso. Os consórcios de empreiteiras negam irregularidades ou “acertos”.
Os vencedores da licitação foram divulgados na última quinta-feira, mas o jornal já havia registrado os nomes deles em vídeo e em cartório nos dias 20 e 23 de abril.

LICITAÇÃO

Sergio Castro/ AE

A licitação, de R$ 4 bilhões, foi aberta em outubro de 2008, quando o governador de São Paulo era José Serra (PSDB) -deixou o cargo no início de abril deste ano para disputar a Presidência.
Goldman afirmou ontem que a concorrência ficará suspensa “até que tudo isso possa ser esclarecido”.
“A licitação tinha terminado, nós assinamos os contratos na semana passada, mas as empresas ainda não receberam ordem de serviço. Então nós paralisamos o andamento de qualquer obra. Nenhum tostão foi gasto até agora”, disse o governador.
Goldman não descartou a possibilidade de ter havido um suposto acordo entre as construtoras vencedoras para definir os resultados.
Para o governador tucano, “isso sempre é uma possibilidade. Em qualquer licitação que se faça essa possibilidade sempre existe. Por isso é que se estabelecem preços-tetos. Aliás, na primeira licitação que foi feita, e nós cancelamos, os preços todos estavam acima dos tetos, 30%, 40%, 50% acima dos tetos, e então foi refeito todo o processo licitatório”.
“Agora, se entre eles (empreiteiras) foi feito algum tipo de conluio, nós não sabemos. O que temos convicção é que da parte do poder público não houve nenhuma intervenção nesse processo, a não ser dentro da legalidade”, completou Goldman.
No primeiro semestre deste ano, uma série de reportagens da Folha revelou a existência de “consórcios paralelos” de grandes construtoras do Brasil, num esquema de reparte de contratos que funciona à margem, e a despeito, das licitações públicas.
O governador disse esperar que o caso não tenha repercussão na campanha eleitoral. “Espero que não, já que a atitude nossa é uma atitude imediata em cima de uma investigação e não vamos deixar absolutamente nada sem esclarecimento”, afirmou.

Esse post foi publicado em Notícias e política. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s